Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Marquês de Pombal

 

O estadista Sebastião José de Carvalho e Melo, nasceu em Lisboa em 1699 e faleceu na vila de Pombal em 1782. O título de Marquês de Pombal foi-lhe concedido em Setembro de 1769. Oriundo de uma família nobre mas pobre, parece ter estudado na Universidade de Coimbra. Raptou uma viúva, 10 anos mais velha do que ele, da casa dos condes dos Arcos, com quem casou em 1723. Mercê da protecção do cardeal D. João da Mota, tornou-se, em 1739, representante de Portugal em Londres e a partir de 1743 enviado extraordinário em Viena. Viúvo desde 1739, casou de novo, em 1745 com uma jovem filha de um arruinado conde austríaco. Abandonando Viena em 1749, regressou a Lisboa com uma folha de serviços pouco brilhante. Após a morte de D. João V, em 1750, e o consequente afastamento do grupo de frei Gaspar da Encarnação, entrou a fazer parte dos novos governantes escolhidos por D. José. Para esta escolha terão contribuído a rainha-mãe, austríaca de nascimento como o era a esposa de Sebastião José, e a recomendação dos jesuítas José Moreira e José Ritter, confessores régios. Secretário de Estado, perante a ineficácia dos seus colegas na governação tornou-se o chefe da facção dominante, partidária do reforço do Absolutismo, e por isso avançou com propostas nesse sentido, assim como das reformas das instituições (reforma das alfândegas) e da criação de organismos novos no sentido do dirigismo comercial. Assegurou o seu poder pela energia prática de que deu provas aquando do terramoto de 1755. Elevado a dirigente único, aproveitou-se de um atentado contra D. José, em 1758, para anular as resistências mais poderosas que se opunham aos seus planos absolutistas: a nobreza, através da prisão e suplício, em 1759, de muitos membros de importantes casas nobres (de Aveiro, Távoras, etc.), e os Jesuítas, que fez expulsar em 1759 e cujos bens sequestrou. A expulsão dos Jesuítas implicou, para além de gravíssimas consequências no sector da evangelização e da presença de Portugal no ultramar, um rude golpe no sector educativo do País, ao serem encerradas uma universidade (Évora), dois institutos universitários (Coimbra e Lisboa) e 19 colégios que constituíam a quase totalidade da rede de ensino universitário e médio então existente, com um número de alunos que ultrapassava os 20 000, para não falar no encerramento de 15 colégios no Brasil, um em Angola (Luanda), um em Goa, dois em Macau e vários no Oriente. Viu-se, por isso, obrigado a lançar as bases do ensino secundário oficial (1757 e 1764) e do ensino profissional (1759 e 1764), à criação do ensino primário (1772) e à reforma da Universidade de Coimbra (1772). Enquanto procedia ao aniquilamento e à subalternização das forças sociais mais influentes, Sebastião José procurou reforçar o funcionalismo judicial, assim como dos grandes mercadores, estabelecendo as Companhias do Grão-Pará e Maranhão, Pernambuco e Paraíba e de Agricultura do Alto Douro. O insucesso de todas as companhias monopolistas (com excepção da dos vinhos) que criara e a reacção dos pequenos mercadores trouxe-lhe crescentes problemas financeiros, fiscais e administrativos. Por isso, quando da morte de D. José, ocorrida em Fevereiro de 1777, a desgraça do Marquês de Pombal era por de mais evidente. Em Março de 1777 foi aceite o seu pedido de exoneração e uma semana depois refugiou-se em Pombal. A enorme fortuna que acumulara não lhe trouxe alívio aos anos que lhe restavam de vida: em face da acusação do abastado comerciante Galhardo de Mendana, em 1779, Sebastião José viu-se no banco dos réus e em 1781, foi condenado a desterro como merecedor de um exemplar castigo. Político enérgico e eficaz, soube aproveitar as oportunidades, para a consecução dos seus objectivos, norteado pelo modelo de um absolutismo que aplicou dentro de uma base ideológica galicana. Conseguiu, porém, garantir a unidade brasileira. No cômputo global da sua actividade governativa, os resultados são difíceis de perceber em relação aos esforços dispendidos. Deve salientar-se, também, o seu esforço de aproximação à Inglaterra. D. José fê-lo conde Oeiras em Julho de 1759 e elevou-o a Marquês de Pombal, em Setembro de 1769.
 
 

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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

João da Mata

 

Foi um célebre cozinheiro e hoteleiro português do século XIX. Aos 12 anos de idade morreu-lhe o pai, de nome igual ao seu, um dos cozinheiros mais afamados do seu tempo. Prestes a ser embarcado para o Brasil, fugiu de casa, tendo sido acolhido por um cozinheiro amigo do pai. Hábil no ofício, em breve encontrou colocação nas principais casas lisboetas. Era cozinheiro do visconde da Várzea quando, em 1848, tomou a decisão de estabelecer-se por conta própria. Poucos anos volvidos era tal a fama do seu estabelecimento que Mendes Leal deu a um dos actos da comédia Lisboa à Noite o título “Uma Ceia na Mata”. A sua casa tornou-se por isso o local preferido para banquetes políticos e literários. Acabou por abrir o Grande Hotel da Mata, no Calhariz, que hospedou entre outras personagens ilustres, o imperador D. Pedro II do Brasil e a actriz Sara Bernhardt. Fundou, depois, na Avenida da Liberdade, o Grande Hotel de Lisboa, onde se hospedava a grande cantora Adelina Patti, quando se deslocava a Portugal. Teve um grande êxito editorial o seu livro Arte de Cozinha, publicado em 1875.

 

 


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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Ana Máscolo

 

Bailarina de origem italiana, nasceu em Nápoles, em 1930. Tendo vindo para Portugal em criança, iniciou-se no ballet clássico com Margarida de Abreu e estudou no Conservatório de Lisboa, onde em 1946 se diplomou com distinção. Aperfeiçoou-se em Paris e ingressou em 1950 na Companhia Internacional de Ballet, onde foi solista. Estudou dança no Scala de Milão e no Royal Ballet School. Considerada a mais brilhante de todas as bailarinas clássicas portuguesas, dedicou-se ao ensino a partir de 1957, criando um estúdio-escola de dança clássica. Como coreógrafa estreou-se com o bailado Perfis, em 1964. Dirigiu o Grupo Experimental de Ballet e faz parte do corpo docente do Conservatório Nacional de Lisboa.

 

 

 


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Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Castelo de Penedono

 

 

Ali, onde a Beira acaba e o Douro começa, rodeado por rios e florestas de verde luminoso, fica um dos mais rudes, esbeltos e agrestes monumentos portugueses: O Castelo de Penedono. Uma edificação que se ergue de uma saliência rochosa, a 930 metros de altitude, e que se poderia chamar sómente torre militar ou moradia acastelada, visto que possui uns escassos 70 metros no perímetro exterior e, consequentemente, um interior muito reduzido. Não deixa porém de ser um monumento militar magnífico, orgulhoso e singular, caracterizado pela sua verticalidade e com linhas arquitectónicas artísticas. De feição quinhentista, o actual castelo de Penedono crê-se representar a reconstrução contemporânea do Foral Novo, concedido por D. Manuel I em 1512 à vila de Penedono, mas muitas das suas pedras remontam de há mais séculos, nomeadamente ao período românico. A existência da fortificação encontra-se documentada desde o século X, sofrendo sucessivas construções e destruições durante a reconquista cristã, bem como nos séculos seguintes. Devido à sua situação fronteiriça, suscitou grande interesse no segundo monarca português, D. Sancho I, que concedeu em 1195 foral à povoação, reconhecendo a importância do castelo. Citado por Camões no Canto VI dos Lusíadas por se pensar ter aqui nascido Álvaro Gonçalves Coutinho, o insigne cavaleiro Magriço dos Doze de Inglaterra, é um local romântico onde, do alto das suas torres, se avistam terras e povoados a perder de vista, atalaias e mais castelos. A sua planta é irregular, formada por três grossas paredes não rectilíneas, sendo a principal voltada a sul e constituída por dois lanços que formam um ângulo obtuso, de vértice voltado a exterior. Na sua extremidade ocidental abre-se a porta de entrada, entre dois torreões sobrepujados de capitéis com eirado e ameias, à qual dão acesso poucos degraus. A parede a poente corre ao Norte até um amplo cubelo capitelado e ameado, partindo daqui a terceira parede, reforçada a meio por um torreão de menores dimensões que se orienta a Sudeste até entestar com a principal, à qual está ligada por dois grandes torreões, também capitelados e ameados, que ocupam as esquinas do edifício. Nas três fachadas abrem-se algumas bocarras, que terão servido de janelas ou para uso de artilharia. Em frente deverá reparar-se no vistoso pelourinho, assente sobre um trono alto com cinco degraus octogonais, com faces em grosso rebordo. O castelo de Penedono é classificado Monumento Nacional desde 1910.
 
 

 


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Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Farol de Sines

 

O farol do cabo de Sines está, como o próprio nome indica, localizado no Cabo de Sines, perto do Porto desta cidade que viu nascer Vasco da Gama. Terra de pescadores desde sempre (esta baía era o porto da cidade romana de Miróbriga), desenvolveu-se muito no século XX graças ao turismo e à indústria. O farol, uma torre cilíndrica branca de 36 metros, foi erguido no ano de 1880, sobre o formado de pedras eruptivas de que é formado o Cabo. Sines é uma baía privilegiada mesmo a meio da costa marítima alentejana, protegida como Parque Natural. Neste farol, nos anos trinta do século passado, foi instalado o terceiro telefone existente na região, tendo os outros dois sido colocados no posto dos correios locais. Um sinal claro da importância desta estrutura como posto de vigilância. Do alto do farol vê-se, a uma distância de dezenas de quilómetros, a Serra da Arrábida, alongando-se até ao Cabo Espichel. Do outro lado está Porto Covo, com a ilha do Pessegueiro e o Cabo Sardão. Pelo meio espalham-se extensas praias. Uma delas, muito perto do farol, é a praia de São Torpes. Esta tem uma lenda curiosa. Reza a história que Torpes, um oficial da casa do Imperador Nero, ao afirmar ser um seguidor do cristianismo, foi por isso condenado. O caso foi resolvido com a sua decapitação, sendo a cabeça deitada ao rio Amo, perto da cidade de Pisa. Esta apareceu mais tarde, perto de Sines, nesta praia, velada por um cão e por um galo. Para além do farol, imprescindível de visitar nesta localidade é o castelo. Construído durante a primeira metade do século XV, tem uma área mais pequena do que seria normal. Uma explicação é o facto da povoação já ser, na altura, demasiado extensa para ser possível a sua protecção total. O alcaide mais famoso de Sines foi Estêvão da Gama, pai de Vasco da Gama, que levou a cabo diversas obras nesta fortaleza. Pensa-se que foi neste recinto que Vasco da Gama nasceu. Hoje, é um dos melhores locais em Portugal para assistir a espectáculos. Aqui está também localizado o posto de turismo. Como recomendação final, sugerimos que aproveite a excursão para ir até ao Trinca Espinhas, na dita praia de São Torpes. Com uma impressionante vista para o mar esta casa é decorada com motivos marítimos. Apresenta uma cozinha que se baseia na confecção de peixe, sendo de destacar a Cataplana à Trinca Espinhas e o arroz de marisco.

 

 


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Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Almada Negreiros

 

José Sobral de Almada Negreiros, escritor e artista plástico, nasceu na Roça da Saudade, em São Tomé e Príncipe, em 1893 e faleceu em Lisboa, em 1970. Filho de um alto funcionário ultramarino, estudou com os Jesuítas no Colégio de Campolide (1900-1910) e na Escola Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. Em 1911 escreveu a sua primeira peça de teatro. Foi um dos fundadores da revista Orpheu (1915). Expôs pela primeira vez em 1912, tendo posteriormente estudado Pintura em Paris, de 1919 a 1920. De 1927 a 1932 viveu em Espanha. A pujança da sua arte plástica surge a primeira vez em 1938, com os mosaicos e pinturas da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa. Como pintor realizou desenho, pintura a óleo e a fresco, mosaico, vitral, tapeçaria, decorações incisas e gravura, tendo recebido prémios artísticos em 1942, 1945, 1957 e 1959. Entre as suas obras plásticas avultam as pinturas murais das gares marítimas do porto de Lisboa – primeiro a de Alcântara e depois a da Rocha do Conde Óbidos – e o retrato de Fernando Pessoa. Como escritor foi conferencista, novelista, crítico panfletário, ensaísta, dramaturgo, romancista e poeta. A sua obra literária ficou quase sempre dispersa por revistas e jornais e raras vezes veio a lume após a sua criação. Assim, por exemplo, o romance Nome de Guerra, um dos mais significativos na história do romance português, foi escrito em 1925, mas só veio à luz do dia em 1938. Na sua produção poética avulta A Invenção do Dia Claro, de 1921. Vulto cimeiro da vida cultural durante quase meio século, aliou uma nitidez linear estilística a uma extrema capacidade de visionarismo plástico, tendo contribuído mais que ninguém para a criação, prestígio e triunfo do modernismo artístico em Portugal.
 
M. E. Ferraz da Silva, José de Almada Negreiros, Coimbra, 1967. J. Augusto-França, Almada, o Português sem Mestre, Lisboa, 1974 e A. Ambrósio, Almada Negreiros, Africano, Lisboa, 1979.

 

 


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Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Castelo de Ourém

 

Localizada no sopé da serra de Aire, em Ourém, a antiga Abdegas romana, foi reconquistada por D. Afonso Henriques em 1136. Dizem algumas crónicas que terá sido este o ano em que as tropas de D. Afonso Henriques terão ali capturado antigas fortificações em poder dos muçulmanos, no intuito de aliviar a recém tomada Leiria das investidas sarracenas e iniciar uma nova etapa de descida até Santarém. No entanto, não existem documentos que refiram dados concretos sobre a traça e origem das mencionadas fortificações. Situado em terra de férteis várzeas, à volta de um morro de grande interesse militar, as primeiras notícias do Castelo de Ourém remontam a 1178, sendo, não obstante, que é provável a sua existência anterior, possivelmente desde 1159. O que hoje podemos apreciar é uma poderosa fortaleza medieval, dominando as redondezas desde o alto de uma colina. Três pesados torreões, que guardam os sinais de sucessivas remodelações, marcam os vértices de um perímetro triangular que envolve um terreiro com uma cisterna ogival no centro. Da primitiva construção do século XII conservam-se as muralhas, duas portas e algumas torres. Os meados do século XV constituíram os anos de ouro para o castelo. O castelo alojou então o paço residencial por D. Afonso, Conde de Ourém, neto de D. João I e de D. Nuno Álvares Pereira. Nessa época foi atenuado o peso dos torreões com a abertura de terraços e janelas ogivais, defendendo alguns autores que foram feitas ao estilo e, possivelmente, pelas mesmas mãos dos construtores da Igreja de Tomar. Seria ainda este Conde de Ourém quem mandaria construir, num dos pátios de entrada à vila, uma fonte gótica, com pedra de armas, para além de fundar a Colegiada de Nossa Senhora da Misericórdia com a Sé, em cuja cripta D. Afonso está sepultado. Uma visita ao Castelo de Ourém passa por atravessar o túnel abobadado (entrada principal) que fazia a ligação ao pátio do solar, apreciar na fachada do edifício virada a Norte as influências norte-africana e italiana, bem como as portas e janelas, testemunhos góticos. A torre virada a Noroeste tem o nome de Torre de D. Mecia, por ali ter estado em retiro a Rainha assim chamada, esposa de D. Sancho II. A Norte, do lado de fora do castelo, encontra-se uma enorme esplanada, denominada Terreiro de São Tiago, , onde existiu uma igreja que lhe deu o nome. Ao centro ergue-se a estátua de D. Nuno Álvares Pereira, III Conde de Ourém. O terramoto de 1755 destruiria toda a vila velha e o castelo, tendo mesmo os sobreviventes que se mudar para a Aldeia da Cruz, no sopé do morro, onde surgiria a Nova Ourém, hoje já cidade de Ourém. O actual bom estado de conservação do castelo, deve muito à intervenção promovida pela Fundação da Casa de Bragança. No castelo organizam-se uma ampla variedade de eventos de animação socioculturais. A paisagem lá do alto é deslumbrante e merece dedicar-lhe algum tempo.

 


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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Conde de Burnay

 

 

Banqueiro, nasceu em Lisboa em 1838, onde faleceu em 1909. Chamava-se Henry Burnay e era filho de um médico belga. Começou a sua carreira comercial no Porto, em casa da viúva do seu avô. Casado com a filha do banqueiro Carlos Krus, em Lisboa fundou a casa bancária Henry Burnay & Cª. Fez parte da empresa que explorou várias linhas de caminho-de-ferro, adquiriu a Companhia dos Tabacos e construiu o Bairro de Camões (a Santa Marta), em Lisboa. Reuniu valiosas colecções artísticas no seu palácio da Junqueira e contribuiu generosamente para a celebração dos centenários de Camões, de Santo António e do Marquês de Pombal. Recebeu o título de conde em 1886.

 

 

 

 


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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Fernando Pessoa

 

Fernando António Nogueira Pessoa, nasceu em Lisboa em 1888, onde faleceu em 1935. Seu pai, com ascendentes judeus, foi crítico musical do Diário de Notícias. Órfão de pai desde 1893, sua mãe, de família açoreana, casou dois anos depois com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, na África do Sul. Nesta cidade sul-africana fez Fernando Pessoa os estudos primários e secundários e frequentou uma escola comercial. No exame de admissão à Universidade do Cabo, onde não chegou a ingressar, alcançou, em Dezembro de 1903, o Prémio Rainha Vitória, destinado ao melhor ensaio de redacção. Em Agosto de 1905 regressou a Lisboa, matriculando-se no Curso Superior de Letras, que frequentou pouco tempo. Após uma falhada tentativa no campo dos negócios, passou, em 1908, a assegurar a sua subsistência fazendo a correspondência estrangeira, sobretudo inglesa, para casas comerciais. Viveu num círculo muito restrito, fechado ao amor (namorou em 1920 uma dactilógrafa) e sem ambições (recusou o convite para ensinar na Universidade de Coimbra Língua e Literatura Inglesas e deixou inédita a quase totalidade da sua gigantesca obra literária), levou uma existência apagada, buscando a evasão na multiplicidade das suas criações literárias e no abuso do álcool, que lhe causou a cirrose hepática que o vitimou. De 1903 a 1909 compôs poemas em inglês e em Dezembro de 1904 fez a sua estreia literária com um ensaio sobre Macauly, publicado na revista da Durban High School. Em 1912 iniciou a sua colaboração na revista A Águia, órgão do saudosismo de Teixeira de Pascoaes, e na Renascença Portuguesa. É de 1913 o seu primeiro poema em português, intitulado Pauis, publicado em A Renascença e que marca o início do modernismo nas letras portuguesas. Em 1914 concebeu os heterónimos, que viriam a ser ao todo 17, sendo os principais Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Em Abril de 1915, com Mário de Sá-Carneiro e Luís de Montalvor, lançou a revista Orpheu (da qual só vieram a lume dois números), que fez vingar o modernismo. Colaborou nas revistas Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926), que dirigiu com José Pacheco e Atena (1924-1925), de que foi director com Rui Vaz, etc. Para concorrer a um prémio de um organismo oficial publicou o seu único livro de poemas em português, a que deu o nome de Mensagem (1934). Obteve o Prémio Antero de Quental, mas na categoria B, por o livro não atingir o número de páginas requerido para a categoria A. Os escritos em prosa constam de ensaios estéticos e literários, textos filosóficos, páginas íntimas e cartas. A obra poética, em inglês e português, abrange 10 volumes: caracteriza-a um absoluto predomínio da inteligência perante a atrofia da vontade e do sentimento, inteligência que, para melhor exprimir a sua atitude perante a vida, recorreu à multiplicidade dos heterónimos, sendo estes, de facto, não as múltiplas facetas de um poeta dotado de uma compreensão englobante, mas a expressão de uma totalidade fragmentada sob a roupagem de múltiplos estilos personificados. Figura cimeira do modernismo literário, ninguém como ele influenciou as gerações posteriores de poetas, tanto em Portugal como no Brasil.
 
J. do Prado Coelho, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, Lisboa, 1949, Camões e Pessoa, Poetas da Utopia, Lisboa, 1984. J. Gaspar Simões, Vida e Obra de Fernando Pessoa, Lisboa, 1950. M. da Encarnação Monteiro, Incidências Inglesas na Obra de Fernando Pessoa, Coimbra, 1956. A. de Pina Coelho, Os Fundamentos Filosóficos da Obra de Fernando Pessoa, Lisboa, 1971, em dois volumes. Eduardo Lourenço, Pessoa Revisitado, Lisboa, 1981. António Quadros, Fernando Pessoa, Lisboa, 1981-1982, em dois volumes. Alfredo Antunes, Fernando Pessoa, Fronteira entre o Homem e o Poeta, Lisboa, 1983 e José Blanco, Fernando Pessoa, Esboço de uma Bibliografia, Lisboa, 1983.
 
 Padrão
 
O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
 
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala aos ventos e aos céus
Que, da obra ousada é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
 
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
 
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.
 

do livro Mensagem

 

 

 


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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Farol da Guia

 

O Farol da Guia, em Cascais, parece hoje estar um pouco subalternizado face aos seus companheiros de Santa Marta e do Cabo Raso, que, localizados mesmo ali ao lado, à sua esquerda e direita, lhe parecem fazer sombra. No entanto, o Farol da Guia foi um dos primeiros faróis portugueses, quando ali ainda nada havia senão terra de pescadores , ponto de fuga ou de alegria de navios e marinheiros. Diversas fontes apresentam como data de construção do Farol o ano de 1610, embora muitas outras afirmem ter sido em 1761. O mais provável é que o actual farol tenha sido edificado em 1761, existindo no lugar uma estrutura mais artesanal e menos imponente até essa data. Uma herança do reinado de D. Manuel I que, em plena época dos Descobrimentos Marítimos, terá achado necessário dotar Cascais de uma estrutura de apoio ao acesso seguro das embarcações ao Tejo e ao porto de Lisboa, então uma das zonas mais movimentadas do litoral português. Cascais era, na época, a primeira terra avistada pelos navegadores que regressavam à capital portuguesa. Do século XVII, e aqui sem dúvidas, é a ermida que se encontra localizada mesmo ao lado do Farol, virada para a segurança espiritual dos marinheiros. Nesta pode ler-se a seguinte inscrição: “Guia dos homens do mar”. Assim, torna-se fácil perceber de onde o farol foi herdar o seu nome. A capela, edificada em 1570 por António Ribeiro da Fonseca (que aí se encontra sepultado), tem um portal manuelino, já com toques renascentistas. Deve ter sofrido bastante com o terramoto de 1755, que muito abalou Cascais, pois há notícia de obras de vulto no início do século XIX: O Farol da Guia, integrado na zona do parque Natural Sintra-Cascais, está situado a menos de dois quilómetros da vila de Sintra, e consiste numa sólida torre em pedra branca, com 28 metros de altura a 58 metros de altitude. Subindo os seus 132 degraus, fica-se com uma vista privilegiada sobre o mar e o verde da zona da Quinta da Marinha. Daqui vê-se ainda, à esquerda, a Casa da Guia, hoje uma espécie de centro comercial em formato pitoresco. Do seu lado direito, avista-se o Forte de Nossa Senhora da Guia, construído em 1642, passando a fazer parte da linha defensiva da costa pensada no reinado de D. João IV, em plena guerra da Restauração.

 

 

 


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